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1. PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS


1.1 Gestão compartilhada

A Lei 10.097/2000 envolve vários agentes para sua implementação: o próprio aprendiz, sua família, a empresa, a instituição formadora, a escola e os órgãos públicos. O papel de cada um no processo é fundamental, mas deve ser exercido de forma compartilhada para garantir a qualidade da formação do aprendiz.

Com a exigência da Lei de que a formação profissional dos aprendizes se dê na instituição formadora e no ambiente de trabalho, enfatizamos a necessidade de que educadores e orientadores – aqueles que acompanharão o aprendiz na instituição e na empresa – compartilhem o planejamento e as decisões, desde a definição do quantitativo de dias e horas diárias a serem cumpridas na instituição formadora e na empresa, ao acompanhamento permanente do aprendiz, trocando informações sobre seu desenvolvimento e (re)planejando ações. Além disso, sugerimos nos módulos específicos atividades para serem desenvolvidas na empresa, em estreita sintonia com a dinâmica dos encontros que serão realizados na instituição formadora. A gestão compartilhada é colocada em prática por meio do ambiente virtual – através dele a instituição formadora compartilha com o orientador da empresa as informações sobre a formação desse jovem.


1.2 Flexibilidade

A flexibilidade é inerente à Lei da Aprendizagem, quando estabelece que seu cumprimento se dê em dois ambientes, na empresa e na instituição formadora.

O Aprendiz Legal, criado para formar jovens do Brasil inteiro para o mundo do trabalho, se preocupou em aliar a necessária flexibilidade à sua concepção pedagógica.

O programa está estruturado em encontros presenciais que poderão ser reorganizados em função de demandas específicas. Eles não precisam ser realizados de forma sequencial e linear. Caso o educador avalie ser mais pertinente antecipar determinado encontro subsequente ao programado, poderá fazê-lo com segurança, pelo fato de os princípios que o fundamentam e os conceitos que o estruturam serem recorrentes, reaparecendo em diferentes situações de aprendizagem.

São considerados conceitos estruturantes do programa: identidade, linguagens e trabalho.

Identidade: a construção da identidade acontece a partir da relação que se estabelece com o outro. Dessa forma, acreditamos que as identidades juvenis devem ser positivadas nas diferentes situações de aprendizagem desenvolvidas, estimulando a autonomia e o protagonismo do aprendiz.

Linguagens: os conteúdos são apresentados em linguagens diversificadas, através de textos verbais e não verbais. Dentre os textos verbais, utilizamos diversificados gêneros como poesias, cordéis, letra de músicas, textos jornalísticos, etc.

Trabalho: representa, hoje, um valor social universal; é visto como uma atividade que significa fonte de realização pessoal e social, por isso deve ser reconhecida e valorizada, desassociada de uma concepção consumista que vê o trabalho como simples fonte de renda.

Tais conceitos geram a possibilidade de o aprendiz poder ingressar numa turma que já tenha iniciado o programa sem comprometer a qualidade da sua formação.

O educador receberá subsídios para adequar as diferentes situações que vierem a surgir por meio de suporte presencial, dos materiais e do ambiente virtual do Aprendiz Legal.


1.3 Trabalho com projetos

Consideramos que, especialmente ao ingressar no mundo do trabalho, o jovem necessita saber planejar, organizar seu tempo e elaborar projetos de vida.

A realização dos projetos propostos no Módulo Básico pretende contribuir para que os aprendizes ampliem sua capacidade de se organizar. A partir da orientação minuciosa sobre as etapas dos projetos, desde o planejamento até a apresentação dos mesmos, os aprendizes estarão desenvolvendo competências, conhecendo melhor o contexto local e propondo, inclusive, intervenções concretas para a melhoria do local pesquisado.


2. PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS


2.1 Desenvolvimento de competências

Consideramos as competências como recursos internos de compreensão que cada pessoa possui e que são mobilizados e ampliados pelo processo coletivo de aprendizagem, por meio de situações-problema, gerando autonomia intelectual.


2.2 Abordagem interdisciplinar e contextualizada do conhecimento

Os conceitos abordados no Programa articulam-se entre si em diferentes contextos – por meio de várias linguagens e gêneros textuais – para levar à compreensão, dando sentido às informações, transformando-as em conhecimento.


2.3 Avaliação por competências e habilidades

A partir da definição de competências a serem desenvolvidas, foram criados indicadores específicos para cada uma delas. Tais indicadores facilitarão a observação do desempenho de cada aprendiz em sua relação com o programa e no trabalho cotidiano com os colegas, devendo ser registrada em ficha específica para isso, publicada também no ambiente virtual do Aprendiz Legal.


3. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

Sugere-se no Aprendiz Legal uma leitura e organização do conhecimento de forma hipertextual.

Consideramos o hipertexto uma forma de produzir conhecimento que se utiliza de diversas linguagens e gêneros, não necessariamente mediatizados por meios eletrônicos. Contos e poesias, citações, imagens, canções, jogo, tiras, charges, histórias em quadrinhos, vídeos, quadros e outras vozes rechearam o módulo básico do Aprendiz Legal com a finalidade de produzir conhecimento e desenvolver competências. Foram muitas as conexões entre as informações, possibilitando a criação de novos fios e nós que tecem e reconfiguram novas redes de conhecimento. O módulo de Ocupações Administrativas, ao introduzir conhecimentos específicos pertinentes às funções de auxiliar administrativo, almoxarife, contínuo e arquivista, manteve o caráter interativo de um hipertexto, articulando os novos conceitos àqueles que estruturaram o módulo básico, por meio de atividades realizadas na instituição educacional e na empresa. São propostas releituras permanentes dos vários textos das unidades básicas. Os materiais que compõem a caixa de ferramentas em suas diferentes mídias também se interconectam.

A autonomia do sujeito/autor para (re)construir sua rede de conhecimento, característica de uma proposta hipertextual, se manifesta na possibilidade de os encontros serem recriados em função da diversidade de contextos nos quais a metodologia será adotada. Quando coordenadores – em parceria com aprendizes – buscam informações, selecionam atividades e textos distintos para a compreensão de determinados conceitos, estão tecendo e ampliando sua rede de conhecimentos, estão criando novas interpretações de sentidos.

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